domingo, 27 de dezembro de 2015

A HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL

HÁ 120 ANOS O MUNDO SE DESLUMBRAVA COM A IMAGEM CINEMATOGRÁFICA:


A história do cinema começa com os irmãos Lumière....

Denominado como a Sétima arte, o Cinema continua encanta multidões há 120 anos. Exatamente no dia 28 de dezembro de 1895, pela primeira vez um filme foi projetado publicamente em uma tela durante um café parisiense. Esta projeção foi realizada pelos irmãos: Augusto Marie Louis Nicholas Lumiére (nascido em Besançon, no dia 19 de outubro de 1862, falecido em Lyon, no dia 10 de Abril de 1954 aos 92 anos); pelo irmão Louis Jean Lumière (nascido em Besançon, no dia 5 de outubro de 1864, falecido em Bandol, no dia 06 de junho de 1948 aos 84 anos).

Os irmãos Auguste Lumieré e Louis Lumiére

O marco inicial da Sétima Arte é o ano de 1895. Fora neste ano que os Irmãos Lumiére, reconhecidos historicamente como fundadores do cinema, inventaram o cinematógrafo, aparelho inspirado na engrenagem de uma máquina de costura, que registrava a “impressão de movimento” (vale esclarecer que as câmeras cinematográficas não captam a movimentação em tempo real, apenas tiram fotos seqüenciais que transmitem-nos ilusão de movimento) e possibilitava a amostragem deste material coletado a um público, através de uma projeção.

A idéia é basicamente a mesma de uma câmera utilizada nos dias de hoje, porém seu funcionamento era manual, através da rotatividade de uma manivela - anos depois, o processo se mecanizara, e hoje em dia já podemos encontrar equipamentos desse porte com formato digital.

Neste mesmo ano de 1895, mais precisamente no dia 28 de dezembro, acontecera também a primeira sessão de cinema, proporcionada justamente pelo trabalho destes dois franceses, Auguste e Louis Lumiére. Seus pequenos filmes, que possuíam aproximadamente três minutos de duração, foram apresentados para um público de cerca de 30 pessoas.

Dentre os filmes exibidos estava “A Chegada do Trem na Estação”, que mostrava, obviamente, a chegada de um trem a uma estação ferroviária. Reza a lenda que, conforme a locomotiva aproximava-se cada vez mais da câmera, os espectadores começaram a pensar alucinadamente que seriam atropelados pelo trem, fato que levou o público correr para fora das dependências do teatro onde estava sendo projetado o filme.

Era o início de uma das evoluções mais importantes da era “pós-revolução industrial”, ainda estranhada pelos olhos virgens da população da época que jamais poderia prever onde aquela invenção dos irmãos Lumiére poderia chegar com a sua arte tecnológica proporcionando a primeira globalização entre mundos e povos diferentes através da imagem.

A importância do Cinema Mudo:

O cinema mudo veio para que as pessoas tomassem gosto de ir ao cinema e assistir a um filme onde havia emoção, aventura, comédia, etc, ele é uma junção da imagem com a música que a cada tipo de cena muda o tipo de sonorização para que provocasse um efeito de mudança das cenas.

Para alguns diretores a trilha sonora no filme é essencial, para outros não faz tanta diferença, hoje em dia se usa a trilha sonora até em propagandas para persuadir os consumidores.

No início do cinema a imagem e a música se tornaram inseparáveis, pois várias pessoas que iam ao cinema diziam que ver imagens sem alguma música ou ver música sem alguma imagem causava um grande estranhamento.

O cinema mudo foi um grande avanço da criatividade para os cineastas, um dos que mais se destacou foi o famoso Charles Chaplin que além de diretor era produtor, compositor e ator de seus filmes, ele fazia com que a música mostrasse todo o sentimento que queria passar a todos.

Um grande compositor que também se destacou em cinema mudo foi Eisenstein, um de seus clássicos foi um filme infantil de Walt Disney chamado Fantasia, que não obteve muito sucesso para o público, mas pelos críticos é considerado uma grande obra de arte.

Não só estes filmes citados como também vários outros na época ficaram marcados pela emoção que a música trazia e deixa em nossas lembranças como um grande fato para história.

Após a era do cinema mudo, os filmes adiante começaram a se dedicar mais a parte da trilha sonora e hoje em dia é muito raro achar algum filme que não tenha ou que não use “o tempo todo”.

A História do Cinema do Mudo:

Os filmes produzidos eram documentais, registrando paisagens e pequenas ações da natureza. A idéia dos irmãos franceses, que decidiram enviar a vários lugares do mundo homens portando câmeras, tendo como propósito registrarem imagens de países diferentes e levá-las para Paris, difundindo, assim, as diversas culturas mundiais dentro da capital da França. Os espectadores, então, iam ao cinema para fazerem uma espécie de “Viagem pelo Mundo”, conhecendo lugares jamais visitados e que, devido a problemas financeiros ou quaisquer outros detalhes, não teriam possibilidade de conhecerem de outra maneira. Via-se ali, então, um grande e contextual significado para uma invenção ainda pouco desmembrada pela humanidade.

Com o passar do tempo, talvez por esgotamento de idéias ou até mesmo pela necessidade de entretenimento, os filmes começaram a ter como propósito contar histórias. Inicialmente, eram filmados pequenos esquetes cômicos, cujos cenários eram montados em cima de um palco, conferindo aos filmes forte cunho teatral.

A importância de Charles Chaplin no cinema mudo:

Charles Chaplin
Charles Chaplin, um homem humilde cuja dignidade vai além de seus trajes maltrapidos, folgados sapatos, um chapéu-coco e uma bengala, suas marcas registradas e imortalizadas na história do cinema mudo.

Charles Spencer Chaplin Jr., Nasceu na Inglaterra, Walworth - Londres, 16 de abril de 1889. Foi ator, diretor, roteirista e músico. Seu personagem, Charles Chaplin ficou conhecido na França, como "Charlot", na Itália, Espanha, Portugal, Grécia, Romênia e Turquia como Carlitos, e no Brasil: "O Vagabundo".

Chaplin foi uma das personalidades mais marcantes e criativas da era do cinema mudo, atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou seus próprios filmes.

Em 1929 ganhou seu primeiro "Oscar" (versatilidade e excelência na atuação, roteiro, direção e produção - no filme The Circus), uma estatueta que ele deu muito pouca importância. Segundo declarações, ele usava essa estatueta ao lado da porta de sua casa para não deixá-la bater. Esse fato desagradou a Academia de Hollywood que passou a não premiá-lo, apesar das indicações.

Em 1936 foi o lançamento do filme, "Tempos Modernos" que criticava a situação da classe operária e dos pobres da Europa dos EUA, onde o produtor toma partido contra as perseguições raciais, preconceitos e intolerância existente utilizando conceitos marxistas elaborados por Karl Marx. Um filme que rendeu ao produtor e diretor grandes perseguições políticas principalmente do governo dos Estados Unidos da América, sendo perseguido pelo macarthismo que de maneiras repressivas para evitar respectivamente o socialismo, agia de forma ríspida para impedir uma possível presença de espiões. Assim o Macarthismo tirou muitas pessoas dos Estados Unidos e matou milhares chegando a receber o nome de caças as bruxas.

Na obra cinematográfica de Chaplin Chaplin podemos encontrar o seu posicionamento político de esquerda que sempre esteve presente em seus filmes.

Cenas do filme Tempos Modernos:








Em 1940 lançou, "O Grande Ditador", seu primeiro filme falado, onde Chaplin criticou Adolf Hitle e o Fascismo.

A expressão do olhas do ditador Adolfo Hitle sobre o mundo.

O filme “O Grande Ditador” recebeu nomeações como melhor filme, melhor ator, melhor roteiro e música original, mas não foi premiado.

Cenas do Filme O Grande Ditador.

Em 1952, Chales Chaplin ganhou o prêmio Oscar de melhor música em filme dramático por “Luzes da Ribalta (Limelight)”, porém no mesmo ano após anunciar que iria viajar para Suíça com sua esposa Oona O'neil, o governo americano confisca todos seus bens e mais tarde quando tentou retornar aos EUA, foi proibido pelo serviço de imigração e seu visto foi cassado sob a acusação de "Atividades anti-americanas". Depois disso, Charles então decide morar na Suíça na cidade de Corsier sur Vevey.

Charles Chaplin e a esposa Oona Oneil

Em razão das perseguições da época de sua realização este prêmio só pode ser recebido em 1972, junto com talvez a sua maior premiação.

Em 1972, ainda no exílio, havendo muita expectativa nesta premiação, pois não se sabia se seria permitida sua re-entrada no país, ele volta aos Estados Unidos pela última vez, para receber um prêmio especial da Academia pelas "suas incalculáveis realizações na indústria do cinema", se tornando uma das maiores aclamações na história do Oscar, onde Chaplin foi aplaudido por mais de cinco minutos, em pé por todos os presentes. Charles Chaplin morreu no dia 25 de dezembro de 1977, aos 88 anos, na Suíça, vítima de um derrame cerebral.


Filmes dirigidos, produzidos por Charles Chaplin:

Carlitos Casa Nova, 1914
O Vagabundo, 1915
O Imigrante, 1917
Vida de Cachorro,1918
Carlitos nas Trincheiras, 1918
Idílio no Campo, 1919
O Garoto, 1921
Pastor de Almas, 1923
Casamento de Luxo, 1923
Em busca do Ouro, 1925
O Circo, 1928
Luzes da Cidade, 1931
Tempos Modernos, 1936
O Grande Ditador, 1940
Monsieur Verdoux, 1947
Luzes da Ribalta, 1952
Um Rei em Nova Iorque, 1957
A Condessa de Hong Kong, 1967






segunda-feira, 2 de novembro de 2015

DEPOIS DE ANOS DE SILÊNCIO GERALDO VANDRÉ CONCEDE ENTREVISTA AO JORNALISTA GENETON MORAES NETO.



1)  A pergunta que todos gostariam de fazer é a mais simples possível: o que foi que aconteceu com Geraldo Vandré?

Vandré: “Ficou fora dos acontecimentos (ri). Ficou fora dos acontecimentos. Acho melhor para ele. Tenho outras coisas para fazer. Estudei leis. Quando terminei meu curso de Direito aqui no Rio e fui me dedicar a uma carreira artística, já sabia que arte é cultura inútil. Mas hoje consegui ser mais inútil do que qualquer artista. Sou advogado num tempo sem lei. Quer coisa mais inútil do que isso? Quando entrei na escola, para estudar, era a Universidade do Distrito Federal. Quando saí, era Universidade do Estado da Guanabara. Hoje, é UERJ, no Maracanã”.

2) Você se animaria a fazer uma temporada comercial, em teatros?

Vandré
: “Tenho uma prioridade: fazer a minha obra de língua espanhola. É uma obra popular. Além de tudo, o que quero fazer, antes de cantar canções populares no Brasil, é terminar uma série de estudos para piano, música erudita com vistas à composição de um poema sinfônico. Porque aí já é a subversão total. Não existe nada mais subversivo do que um subdesenvolvido erudito”.

3) O fato de a música “Caminhando” ter se tornado uma espécie de hino de protesto provoca o quê em você hoje: orgulho ou irritação?

Vandré: “Estou tão distante de tudo. Mas não tenho o que corrigir em nada do que fiz. Tenho muito orgulho de tudo o que fiz. Protesto é coisa de quem não tem poder. Não faço canção de protesto. Fazia música brasileira. Canções brasileiras. A história de “protesto” tem muito a ver com a alienação denominatória, é o “protest song” norte-americano, a música country. Há algumas coincidências. Não concordo com a denominação “música de protesto”. Fiz música popular brasileira”.
 

4) Você teve uma divergência artística com os tropicalistas – entre eles, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Hoje, você ainda considera ruim a música que eles faziam na época?

Vandré: “Com essa pergunta, eu me lembrei de uma reposta que o próprio Gil deu uma vez. Fiz uma pergunta a ele. Não me lembro qual foi. E ele disse: “Ah, faço qualquer coisa. Uma tem que dar certo”. Eu não faço qualquer coisa”.

5) Mas você mudou de opinião sobre os tropicalistas ou não?
Vandré: “Parece que eles continuam na mesma. É o que me parece. Eu estou distante de tudo – não só do Tropicalismo como de tudo praticamente que se faz do Brasil”.

6) Em que país vive Geraldo Vandré?

Vandré: “Vive num Brasil que não está aqui. Geraldo Vandré vive no Brasil. Eu até me atreveria a dizer que quem não vive no Brasil é a maioria dos brasileiros. A quase totalidade dos brasileiros não vive mais no Brasil. Vive num amontoado”.

7) Como é este Brasil de Geraldo Vandré?

Vandré: “É o antes – de quarenta anos atrás. O país que o Brasil era quando fiz música para o Brasil não era este país de hoje. Não existia este processo de massificação. Dentro da minha própria carreira – profissionalmente falando – houve uma mudança ali no Maracanãzinho. Ali, houve a passagem do que eu fazia para um público de um teatro de setecentas ou no máximo mil e duzentas pessoas para um ginásio com trinta mil pessoas. E a televisão direta no ar. Já foi a massificação”.

8) O Brasil de quarenta anos atrás era melhor do que o Brasil de hoje?

Vandré: “Eu fazia música para aquele país”.

9) E por que não fazer música para o Brasil de hoje?

Vandré: “Porque o país é outro. O que existe é cultura de massa. Não é cultura artística brasileira. Não há praticamente espaço para a cultura artística. Se você considerar os outros autores, eles fazem coisas de vez em quando. Não têm uma carreira como tinham antigamente – nem Chico Buarque nem Edu Lobo, ninguém. A carreira que eles têm é uma carreira hoje muito segmentada”.

10) Você se considera, então, uma espécie de exilado que vive dentro do Brasil?

Vandré: “Estou exilado até hoje. Ainda não voltei. Eu estou exilado e afastado das atividades que eu tinha até 1968 no Brasil. Eu me afastei. Não retornei”.

11) Por que é que você resolveu se afastar totalmente da carreira artística naquela época?

Vandré: “Naquela época, já era assim: já era como hoje. Quando voltei, o Brasil já estava num processo de massificação em que o público para quem eu tinha escrito e para quem eu tinha composto praticamente já não existia, aquela classe média de quatro anos e meio antes. Estava muito confuso tudo. Fui esperando, fui vendo outras coisas. Isso foi de mal a pior – cada vez mais. Para você ter uma ideia: quando terminei o curso de Direito no Rio e me mudei para São Paulo, em 1961, para fazer uma carreira artística, não existia bóia-fria em São Paulo. Hoje, São Paulo é a terra do bóia-fria: todo mundo amontodo nas cidades. Vão aos campos para plantar e para colher e depois voltam para as cidades. Quando fui para São Paulo, a cidade tinha quatro milhões de habitantes. Hoje, são dezesseis milhões de amontoados. É um genocídio. Tiraram todo mundo dos campos para produzir e exportar…”

12) A decisão de interromper a carreira, então, foi de certa maneira um protesto contra o que você via como “massificação” da sociedade brasileira?

Vandré: “Não. O que houve foi muito mais uma falta de motivo, uma falta de razão para cantar. Protesto, não: falta de razão, falta de por que. Estou fazendo o que acho que devia fazer”.

13) O que é que chama a atenção do Geraldo Vandré no Brasil de hoje? Que manifestação artística desperta interesse?

Vandré: “A miséria aumentou. Se você pegar a letra de “Caminhando” - “pelos campos, as fomes em grandes plantações, pelas ruas marchando indecisos cordões/ ainda fazem da flor seu mais forte refrão/ e acreditam nas flores vencendo o canhão” -, hoje é mais ainda. Hoje, as ruas estão muito mais cheias de indecisos cordões. O processo de massificação destruiu praticamente a urbe brasileira”.

14) Você se animaria a fazer uma canção como “Caminhando” hoje?

Vandré: ”Não existe isso. A gente nunca faz uma canção como uma outra. Aquela é uma canção. Cada uma é uma. A gente faz independentemente de animação. Quando decide fazer, faz”.

15) Você diria que o Brasil é um país ingrato?

Vandré: “Não. De forma alguma. São coisas que ocorrem. Guerra é guerra. Não perdi (ri). Eu me lembrei agora de um poema muito bonito de Gonçalves Dias que aprendi com meu pai: “Não chores, meu filho, não chores/ Viver é lutar/ A vida, meu filho, é combate/é luta renhida/ que aos fracos abate e aos bravos só pode exaltar”.

16) Quando você se lembra hoje do Maracanãzinho inteiro cantando “Caminhando” que sentimento você tem?

Vandré: “Aquilo foi muito bonito, muito bonito. Pena que eu não posso ver o VT. Estão guardando o VT não sei para quê. Quero ver o VT. Lá na sua estação eles devem ter. Procure lá. Consegue o VT para ver!” (olhando para a câmera).

17) Você tem saudade daquela época?

Vandré: “Saudades…. Saudades… Um pouco. Mas também há tanta coisa para fazer que não dá muito tempo de sentir saudade”.

18) Você vive de quê hoje? Você recebe direitos autorais?

Vandré: “Nunca dependi de música para viver. Sou servidor público. Hoje, estou aposentado como servidor público federal”
.
19) Você deixou de receber direitos autorais?

Vandré: “Pagam o que querem. Não existe controle. Não existe critério. Se nós tivéssemos direito de autor, teríamos os direitos conexos, direitos de marcas, patentes, propriedade industrial. É um assunto complexo. Mas aí não seríamos subdesenvolvidos“.

20) Você foi o único grande nome daquela geração que não voltou aos palcos – entre eles, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque…

Vandré: “Eu não voltei. É uma boa pergunta: por que não voltei? Não mudou tudo? Mas será que mudou? As razões pelas quais me afastei continuam preponderantes no que se apresenta como realidade brasileira”.

21) Se você fosse escrever um verbete numa enciclopédia sobre Geraldo Vandré qual seria a primeira frase?

Vandré: “Criminoso (ri)”.

22) Por quê ?

Vandré: “O que você chama de governo ainda me tem como anistiado por haver cantado as canções que cantei. Fui demitido do serviço público por causa das canções. O que se apresenta como governo no Brasil até hoje cobra impostos sobre o “corpo de delito” que foram as canções que fiz. Deu para entender agora? “
.
23) Você foi punido pelo governo da época, perdeu o emprego público…

Vandré: “Fui demitido. Depois, retornei. Briguei, briguei, briguei.”

24) Em algum momento, você foi considerado “criminoso”…

Vandré: “Fui demitido por causa da canção. E essa canção que foi motivo de minha demissão até hoje é… Voltei por força de um despacho dado com fundamento na Lei de Anistia, como se eu fosse criminoso. Anistia é para criminoso – condenado por sentença transitada em julgado, se ele aceitar. Porque ele pode não aceitar. Aceitar a anistia significa aceitar-se criminoso, beneficiário de anistia”.

25) Você acha que a grande injustiça foi esta: em algum momento você ser considerado um criminoso?

Vandré: “Injustiça não é a palavra…”

26) Você teria cometido um “delito de opinião” …

Vandré: “Não. Era subversão mesmo, sob certos aspectos, porque não havia nada mais para fazer naquele instante. Não me lembro. Mas as Forças Armadas, propriamente ditas, entenderam muito melhor do que a sociedade civil. Nunca tive nenhum problema com as Forças Armadas propriamente. Sempre houve uma consideração e respeito entre nós”.

27) Hoje, você nega que tenha sido em algum momento um antimilitarista nos anos sessenta?

Vandré: “Nunca fui antimilitarista. Nunca assumi tal posição. Fui lá e falei o que queria dizer, numa canção que foi dita e cantada no Brasil diante de todo mundo. A canção foi cantada para os soldados, também”.

28) O grande equívoco sobre Geraldo Vandré foi este: achar que você era antimilitarista?

Vandré
: “Não houve, na realidade, um grande equívoco. Houve uma grande manipulação porque, quanto mais proibido, mais sucesso fazia; mais se vendia; menos conta se prestava. É uma questão muito séria”.

29) Qual foi à última manifestação artística que despertou o interesse e a curiosidade de Geraldo Vandré no Brasil?

Vandré: “Passei quatro anos e meio fora do Brasil. Quando voltei, havia uma coisa muito importante que era o Movimento Armorial. Havia o Quinteto Armorial e a Orquestra Armorial. A sonoridade era muito condensada. O resultado era importante. Para mim, foi a coisa mais importante que aconteceu nos últimos tempos. Não me lembro de outra coisa que tenha ido além daquilo”.

30) E da produção recente, alguma coisa chamou a atenção do Geraldo Vandré?

Vandré: “Nada. Tiririca (ri). Dizem que vai ser o deputado mais votado de São Paulo. Está bom?"

31) Você disse, numa discussão na época dos festivais: “A vida não se resume a festivais”. Hoje, tanto tempo depois dos festivais, qual é o principal interesse do Geraldo Vandré?

Vandré: “São as outras coisas que não estão nos festivais. Minha vida funcional – de que cuidei até me aposentar; as minhas relações com a Força Aérea, o meu projeto de fazer estas gravações na América espanhola… Tenho muita coisa para fazer”.

32) Outro grande nome que se celebrizou como compositor do regime militar na música brasileira foi Chico Buarque de Holanda. Você acompanhou o que ele fez depois?

Vandré: “Chico teve um caminho diferente do meu. Não chegou a parar. Produziu muito durante aquela época em que eu estava fora. Chico ficou aqui. Saiu e voltou, saiu e voltou. Passei quatro anos e meio fora. Quando voltei, fiz uma tentativa de apresentação num programa de televisão. Não vem ao caso qual, mas não gostei do que aconteceu: o jogo de pressões que se fez em volta. Recuei. Depois, passou-se um tempo. A própria Globo queria fazer um festival. Chegaram a me procurar. Não tive interesse em participar”.

33) O que é que a produção de Chico Buarque significa para você?
Vandré: “Chico é uma pessoa muito talentosa, muito importante. Um grande artista”.

34) Você perdeu o contato com todos os seus companheiros de geração na música ?

Vandré: “Nunca fui muito enfronhado no meio artístico. Fazia minhas coisas. Voltava para minhas atividades extramusicais”.

35) É verdade que você ficou escondido na casa da família Guimarães Rosa antes de ir para o exílio?

Vandré: “Eu saí de circulação. Depois que o tempo foi passando, as coisas vão ficando claras: as Forças Armadas propriamente ditas não tinham nada contra mim. Não tomaram nenhuma iniciativa contra mim. Quando fecharam o Congresso Nacional, no dia 13 de dezembro de 1968, eu estava indo para Brasília para fazer um espetáculo. Evidentemente, suspendemos o espetáculo. Vim de carro – guiando – até São Paulo. Eu estava à mão das Forças Armadas…. Nunca deixei de estar. Mas claro que algo poderia acontecer: ao andar à toa pela rua, eu poderia de repente encontrar um “guardinha de trânsito” que quisesse fazer média. Há sempre alguém que quer tirar proveito de situações assim. Para evitar, saí de circulação. Durante um tempo, estive na casa de Dona Aracy (viúva de Guimarães Rosa – que tinha morrido meses antes). Fiquei lá porque, quando vinha para o Rio, como não tinha casa aqui, sempre ficava na casa de amigos e de pessoas conhecidas”.

37) Por que você tomou esta decisão tão drástica – de interromper uma carreira de tanto sucesso?

Vandré: “Decidir sair do Brasil naquele ano de 1968. (Os mesmos agentes que prenderam Caetano Veloso e Gilberto em São Paulo,em dezembro de 1968, tentaram prender Geraldo Vandré. Mas, avisado por Dedé, à época mulher de Caetano Veloso, Geraldo Vandré conseguiu escapar a tempo) Eu tinha uma programação para fazer fora do Brasil. Tinha um contrato com a televisão Bavária, na Alemanha, para fazer um filme sobre Geraldo Vandré. Fui fazer. Passei um ano e meio pela Europa. Depois, voltei para o Chile – para onde eu tinha ido do Brasil. Havia muitos brasileiros lá ainda. De lá, fui para o Peru. Ganhamos um festival em Lima em 1972 com uma canção que era a única não cantada em espanhol. Era cantada em “brasileiro” mesmo. O Brasil não conhece a canção.Chama-se “Pátria Amada Idolatrada, Salve, Salve – Canção terceira”.

38) Você se lembra da letra?

Vandré: “Eu me lembro. É uma canção que foi feita para ser cantada por um homem e uma mulher. Existe de caso pensado – coincidentemente – uma confusão de sentimentos entre a ideia da pátria e a ideia da mulher amada. O homem canta: “Se é pra dizer-te adeus/ pra não te ver jamais / Eu – que dos filhos teus fui te querer demais-/ no verso que hoje chora para me fazer capaz da dor que me devora/ quero dizer-te mais/ que além de adeus/ agora eu te prometo em paz levar comigo afora o amor demais”.

39) E a mulher, cuja imagem se confunde com a noção da pátria, responde:

“Amado meu sempre será quem me guardou no seu cantar/ quem me levou além do céu/ além dos seus /e além do mais/ amado meu/ que além de mim se dá/ não se perdeu nem se perderá”. Os dois cantam juntos um para o outro. É um contraponto”.

40) Você foi constrangido a gravar, em 1973, um depoimento em que negava que fosse militante político. Qual foi o peso deste depoimento na decisão de Geraldo Vandré de interromper a carreira?

Vandré: “Nunca fui constrangido a declarar que não tive militância política. Nunca tive militância político-partidária. Nunca pertenci a nenhum partido. Nunca fui político profissional. Não fui obrigado a dizer que não era militante. Nunca fui militante político. Nesta contemporaneidade em que estamos, eu me lembrei de um professor de Filosofia que dizia: “O homem é um animal político”. Sou uma qualidade de animal político que não depende de eleição. Vamos estudar a diferença entre política e eleição ?”.

41) Que lembrança você guarda deste depoimento ? Você foi levado para uma sala do aeroporto de Brasília e gravou um depoimento em que – de certa maneira renegava ….Vandré (interrompendo):

Vandré – “É um assunto que ficou muito confuso. Não me lembro exatamente. Gostaria de ver a declaração…”

42) Você gravou o depoimento quando voltou do Chile…
Vandré: “Gostaria de ver, porque houve montagens. Era gravação. O que foi para o ar não sei”.

43) O depoimento criou espanto na época, porque – de certa maneira – era você negando a militância política…
Vandré: “Nunca fui militante. Se engajamento político é pertencer a um partido, nunca pertenci a nenhum. Nunca fui engajado politicamente”.

44) Você obrigado a gravar este depoimento ? Fazia parte do acordo para voltar para o Brasil?

Vandré: “Queriam que eu fizesse uma declaração. Não me lembro o que foi que disse. Mas eu disse coisas que poderia dizer. O que eu disse era verdade. Não disse nada que não tenha querido dizer. A TV Globo deve ter isso. Procure lá…”

45) A gente procurou e não encontrou….
Vandré: “Pois é: somem com tudo. Que loucura essa…Por quê ? Veja se acha o vt do Maracanãzinho. É o que tem Tom Jobim. É o mesmo vt. A minha parte sumiu. Por quê ? Fizeram uma retrospectiva do Festival. Botaram o Festival no Maracanãzinho - Tom, Chico, todo mundo, Cynara e Cybele. Mas, na hora de botar o Geraldo Vandré, usaram um filme feito na Alemanha, em que eu estava de barba. Não é certo”…

46) Talvez tenham recolhido o filme…

Vandré: “Para mim, é muito difícil acreditar que a TV Globo tenha se desfeito do filme. Não acredito. Devem estar guardando muito bem guardado”.

47) Só para esclarecer este episódio sobre o depoimento que você gravou quando voltou do exílio: que lembrança exatamente você tem? Quem pediu a você para gravar este depoimento?

Vandré: “Aquelas declarações foram feitas para uma pessoa que se me apresentava como da Polícia Federal. Fiz um depoimento aqui. Depois, disseram que eu tinha de ir para Brasília. Cheguei ao Brasil no dia 14 de julho. Dois meses depois, apareço como se estivesse chegando em Brasília. Aquilo foi uma manipulação. O depoimento foi gravado antes. Gravaram-me descendo do avião em Brasília. Tudo muito manipulado. É esta a história dos vts: normalmente, temos esta doença. Estou falando aqui. O que vai ser mostrado vai ser uma seleção que a estação vai fazer. Não vai ser o que estou dizendo. Isso é muito sério”.

48) Para encerrar o assunto: o depoimento teve um peso na decisão de interromper a carreira ? Você ficou incomodado com aquilo?

Vandré: “Não. Eu estava chegando e vendo como estavam as coisas. Não tinha menor noção da realidade. Tive de passar por um processo de adaptação no retorno ao Brasil”.

49) O grande mistério que existe sobre Geraldo Vandré durante todas essas décadas é, afinal de contas, o que aconteceu com ele depois da volta do exílio: você foi maltratado fisicamente?

Vandré: “Não.Não”

50) Se você tivesse a chance hoje de se dirigir a uma platéia de jovens num festival, o que é que você diria a eles?

Vandré: “Vamos ter de dar um tempo aí, não é?…” (rindo)

51) Um “tempo” de quantos anos?

Vandré: “Não sei. Agora, vocês vão votar para presidente, deputado, senador. Estão ocupados com outras coisas. Estou por fora”.

52) Que papel você acha que vai caber a Geraldo Vandré na história da música popular brasileira moderna?

Vandré: “Nunca fiz este tipo de avaliação”.

53) Que papel você espera ter? Você se acha suficientemente reconhecido?

Vandré: “Obtive o reconhecimento que procurei e quis”.

54) Você em algum momento se arrepende de ter interrompido a carreira?

Vandré: “Não. Porque raramente me arrependo das coisas que faço. Calculo bem, reflito bem, meço bem: quando faço é para ficar feito mesmo. Não existe arrependimento não”.

55) Para efeito de registro histórico: você, primeiro, não se considera antimilitarista…
Vandré: “Não…”

56) Segundo: você não foi maltratado fisicamente durante o regime militar…

Vandré: “Não…”

57) Terceiro: você disse o que quis no depoimento que você foi forçado a gravar quando voltou do exílio…

Vandré: “E em quarto: há o Quarto Comando Aéreo Regional…Tenho uma canção para o “exército azul”, a Força Aérea…(ri e exibe o brasão da Aeronáutica, impresso numa espécie de cartão de visita que traz, no verso, a letra de “Fabiana“). A aviação é muito bonita. A loucura é a aviação. Porque a maior loucura do homem é voar. Conhece loucura maior do que esta ? Não existe”.

58) Como é que surgiu a fascinação de Geraldo Vandré pela aviação?

Vandré: “Desde pequeno, desde criança”.

59) gostaria de ter sido aviador?

Vandré: “É. Não fui aviador militar. Não sou piloto, mas – de certa forma – sou aviador, porque me ocupo de assuntos da aviação. Uma coisa é aviador, outra é piloto. Você pode ser piloto, co-piloto, rádio navegador, mecânico de bordo, médico aviador. Há vários caminhos – não necessariamente tem de ser piloto…”.

60) O fato de você ter composto uma música em homenagem à Força Aérea criou um certo espanto. Hoje, você se hospeda em hotéis da Aeronáutica, como este. Nós estamos num ambiente militar…
Vandré :”Relativamente, porque este é um instituto de direito privado…”

61) Houve alguma mudança na postura do Geraldo Vandré ou não em relação às Forças Armadas?

Vandré : “O que houve foi o reconhecimento de uma parte da sociedade que nunca tinha tido oportunidade de saber realmente quais eram as minhas posições”.

62) Em que situação Geraldo Vandré voltaria a um palco hoje?

Vandré:”Depende de onde. Tenho uma programação na qual investo meu tempo e minhas energias : gravar um disco no exterior, num país de língua espanhola. É minha prioridade. Depois, vou ver minha programação para o Brasil. Escrevi umas trinta canções originalmente em “americano de habla hispânica”. Quero gravar num país de música espanhola, com músicos de lá. Minha prioridade comercial é esta. Para o Brasil, por ora, o projeto é a canção da Força Aérea mesmo – e um projeto sinfônico. A canção se chama Fabiana porque nasceu na FAB – em sua honra e em seu louvor”.

63) Você, hoje, então prefere compor peças sinfônicas?

Vandré: “Tenho estudado música. Compus uma série de estudos para piano – aproveitando da técnica de uma jovem pianista de São Paulo. Mas a música ganhou outras dimensões. Passou a ser física e matemática. Ritmos do coração. Fica mais complicado, mas, para mim, é música”.

64) Você tem planos de gravar a música que você fez em homenagem à FAB?

Vandré: “Claro. Já fizemos uma apresentação numa festa da Força Aérea em torno das comemorações da Semana da Asa, em São Paulo, com um coral de trezentos infantes. Uma coisa muito bonita. Com o tempo, vamos ver quais são alternativas que se colocam”.


65) Você declarou algumas vezes : “Geraldo Vandré não existe mais….”

Vandré (interrompendo) : “Não, não declarei. Eu disse que ele não canta no Brasil comercialmente. Apresentei uma canção para a Força Aérea do Brasil. Não canto comercialmente no Brasil porque os problemas todos que tive de enfrentar resultaram de especulações comerciais: vendas clandestinas, câmbio negro, tudo isso. Quanto mais se proibia, mais se vendia. A sociedade, às vezes, tem essa doença”.

66) Você canta “Disparada” hoje, em casa?

Vandré : “Não. Faz tempo que não pego num violão. Tenho de voltar a estudar”.

67) Que instrumento, então, você toca? Piano?

Vandré:”Não. Não sou pianista. Toco de improviso alguma coisa”.

68) Pelo menos duas músicas que você compôs são conhecidíssimas até hoje: “Disparada” e “Caminhando”.

 Vandré (interrompendo); “Pelo menos duas…”
69) Se você fosse escolher uma, que música você escolheria como típica da produção de Geraldo Vandré?
Vandré: “Disparada” é mais brasileira, tem uma forma mais consequente com a tradição das formas da música popular: a moda de viola. “Caminhando” já é mais urbana. É uma crônica da realidade. É a primeira vez que fiz uma crônica. Deu no que deu. A realidade não estava muito querendo ser…”

70) Retratada…A obra-prima de Geraldo Vandré qual é?
Vandré: “Todas são iguais. Para mim, são todas iguais. Isso de obra-prima é uma questão de seleção e de predileção do público, os meios de comunicação e os chamados formadores de opinião”.

71) Mas você deve ter uma predileção pessoal…

Vandré: “Não tenho. É tudo igual mesmo”.

72) As peças sinfônicas você compõe como?

Vandré : “As melodias, algumas harmonias…Para escrever em notas convencionais, preciso da escrita de pessoas que estão muito mais afeitas a esta tarefa do que eu. Eu levaria anos para escrever uma partitura. Jamais escreveria como alguém que faz parte de uma orquestra, lê e escreve na hora, à primeira vista. Hoje, estou dedicado a preparar um poema sinfônico cuja abertura coralística será a Fabiana, a canção que fiz para a Força Aérea”.

73) Você hoje se animaria a fazer um espetáculo para o público brasileiro?

Vandré :”Não.Para o público brasileiro, só uma coisa muito especial”…

74) Em que situação você voltaria a se apresentar no Brasil?

Vandré: “Chegamos a cogitar de fazer uma apresentação da Fabiana no Clube de Aeronáutica. É um dos projetos de que chegamos a nos ocupar. Mas até agora as coisas ficaram postergadas, porque o clube vai entrar em reforma. Vêm aí as Olimpíadas Militares. O clube vai ter de se adequar”.

75) Qual é a grande inspiração que você tem para compor essas peças sinfônicas ? O que é que motiva você a compor?

Vandré: “Nunca dependi muito da palavra inspiração. Escolhia os temas. O fundamental para mim é a memória que tenho do que ouvia no cancioneiro popular, as músicas de desde a minha infância”.

76) O público brasileiro ainda vai ter chance de ver Geraldo Vandré cantando “Caminhando” e “Disparada” no palco?

Vandré: “Isso é profecia. Não sou profeta”.

77) O que é que levou você a fazer uma música em homenagem à FAB, a Força Aérea Brasileira, você, que era tido nos anos sessenta como antimilitarista?

Vandré: “Era tido. Por quem? Isso deveria ser perguntado para os que a mim me tinham como antimilitarista. Não sou militarista. Mas também não sou anti. Todos os países soberanos do mundo têm suas forças armadas. O que é que devemos fazer com as nossas? Entregá-las para outras pessoas ? Vamos fazer isso ? Acho que não!

Chamo de “Fabiana” porque nasceu na FAB. Costumamos dizer assim: uma servidora da FAB é “fabiana”. A letra diz: “Desde os tempos distantes de criança numa força, sem par, do pensamento teu sentido infinito e resultado do que sempre será meu sentimento /todo teu/ todo amor e encantamento/ vertente. resplendor e firmamento/ Como a flor do melhor entendimento/ a certeza que nunca me faltou/ na firmeza do teu querer bastante/ seja perto ou distante é meu sustento/ De lamentos não vive o que é querente do teu ser no passado e no presente/ Do futuro direi que sabem gentes de todos os rincões e continentes/ que só tu saber do meu querer silente/ porque só tu soubeste, enquanto infante, das luzes do luzir mais reluzente pertencer ao meu ser mais permanente”.

O refrão é, coincidentemente, um contraponto de “vem /vamos embora/ que esperar não é saber”: “Vive em tuas asas todo o meu viver/ meu sonhar marinho / todo amanhecer”.

Termina a entrevista. Já são quase sete da noite. O Grande Solitário da MPB caminha em direção à escadaria que dá acesso à ala de hóspedes do hotel que funciona no Clube da Aeronáutica. Parte sozinho. Vai em companhia do único habitante do Brasil que Geraldo Vandré criou para si: o próprio Geraldo Vandré. 

Matéria está publicada no Blog Vermelho, Portal G1, por ocasião dos 75 anos de Vandré. 
(Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2010)