sábado, 21 de julho de 2012

ÚLTIMAS PALAVRAS DO REI DO BAIÃO NO PALCO COMO ARTISTA:


Capitulo Final

 


Sanfona Branca, Chapéu e Gibão de Luiz Gonzaga

A última entrevista concedida por Luiz Gonzaga a imprensa, foi para o jornalista Gildson Oliveira, no dia 02 de junho de 1989. Recife foi o local escolhido por Luiz Gonzaga para passar seus últimos momentos de vida.  


Centro do Recife - PE


OBSERVAÇÃO: Vídeo da retrospectiva artística e da uma entrevista de Luiz Gonzaga.



O último show de Luiz Gonzaga foi realizado no dia 06 de junho de 1989 no Teatro Guararapes do Centro de Convenções de Recife, lugar com capacidade para receber 5.000 espectadores, onde recebeu homenagens de vários artistas do país. Antes de finalizar o show, o Rei do Baião proferiu estas palavras abaixo:              
Platéia do Teatro Gaurarapes

“Boa Noite minha gente! (…) Minha gente, não preciso dizer que estou enfermo. Venho receber essa Homenagem. Estou feliz, graças a Deus, por ter conseguido chegar aqui. E estou até melhor um pouquinho. Quem sabe, né? Quero ser lembrado como o sanfoneiro que amou e cantou muito seu povo, o sertão; que cantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes, os valentes, os covardes, o amor. Este sanfoneiro viveu feliz por ver o seu nome reconhecido por outros poetas, como Gonzaguinha, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Alceu Valença Jorge de Altinho, Nando Cordel e outros. Quero ser lembrado como o sanfoneiro que cantou muito o seu povo, que foi honesto, que criou filhos, que amou a vida, deixando um exemplo de trabalho, de paz e amor. Ah! Quero ser lembrado como o sanfoneiro que amou e cantou muito seu povo, o sertão; que cantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes, os valentes, os covardes, o amor. Gostaria que lembrassem que sou filho de Januário e dona Santana. Gostaria que lembrassem muito de mm; que esse sanfoneiro amou muito seu povo, o Sertão. Decantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes. Decantou os valentes, os covardes e também o amor. (…) Muito obrigado.”
Na quarta feira, 21 de junho de 1989, às 10:00h, o velho Lua foi levado às pressas ao Hospital Santa Joana, permanecendo 42 dias internado, aonde veio a falecer. Palavras de Luiz Gonzaga na UTI do hospital: “Vocês não me levem a mal, sinto muitas dores e gosto de aboiar quando deveria gemer.” Luiz Gonzaga travava naquele hospital uma luta imensa contra a morte, e o Brasil todo ficava cada vez mais preocupado com o estado de saúde de seu maior defensor. Luiz Gonzaga não resistiu, o Brasil e o mundo ficou enlutado com o seu último suspiro. A Asa Branca da Paz voava para a eternidade deixando um grande exemplo de vida a ser seguido.
A MORTE DO REI DO BAIÃO:
Hospital Santa Joana - Recife - PE


A viúva Dona Helena das Neves Cavalcanti em seu último Adeus ao Rei do Baião.
O Rei do Baião faleceu numa quarta-feira, dia 02 de agosto de 1989, às 5:15 minutos da manhã, no Hospital Santa Joana, em Recife. Foi na Veneza Brasileira que Luiz Gonzaga dava seu último suspiro. Seu corpo foi velado na Assembléia Legislativa de Recife nos dias 02 e 03. Após a realização da santa missa de corpo presente pelo cardeal Dom Helder Câmara, o caixão foi fechado às 9:45 minutos da manhã da quinta-feira e conduzido até onde estava o caminhão do corpo de bombeiros do Estado de Pernambuco.
Dom Helder Câmara e Gonzaguinha nos preparativos da Missa no Recife - PE.
Depois que colocaram o caixão do Rei do Baião em cima do caminhão do corpo de bombeiro, já era 10:00 horas daquela manhã enrolarada, e a multidão saiu acompanhando o carro pelas principais ruas do centro do Recife, até chegar ao aeroporto dos Guararapes, deonde um avião o levaria até o Juazeiro do Norte para cumprir a vontade do artista de ser velado na terra do Pe. Cícero do Juazeiro de quem ele era devoto.      
Mas houve um atrazo no percurso no Recife de aproximadamente 04 horas e o avião só pousou no aeroporto do Juazeiro do Norte/CE por voltas das 15:15 minutos da tarde, onde uma multidão aguardava o corpo de Luiz Gonzaga. E foi ali mesmo na pista do aeroporto que o Rei do Baião recebeu diversas homenagens de violeiros, poetas e fás do artista. Após ser velado pela multidão, à tardinha, por volta das 17:00 horas o avião novamente decolou com destino ao Exu sua terra natal, levando o corpo do Rei do Baião.                
No entanto, a família de Gonzaga queria levá-lo direto para o Exu-PE. Mas o filho Gonzaguinha disse as seguintes palavras ao chegar no aeroporto de Juazeiro: “TUDO BEM, VAMOS ENTRAR NA CIDADE. SE O POVO QUER, QUE PODEMOS FAZER?”
Ao anoitecer da quinta-feira, dia 03 de agosto de 1989, finalmenete o corpo do Rei do Baião chegou a sua terra natal, a querida Exu/PE. Lá foi velado na Igreja Matriz de Exu Bom Jesus dos Aflitos, durante o restante da noite do dia 03 de agosto e durante o dia 04 de agosto.        
Última Missa de corpo presente na Matriz do Exu/PE.

Após a missa de corpo presente e a última homenagem prestada pelo amigo e músico Dominguinhos e o jovem músico Waldonys, conduziram o caixão para o sepultamento no Cemitério São Raimundo às 15:45 minutos. Das centenas de coroas de flores que estavam espalhadas na Matriz do Exu, oferecidas por fãs de Luiz Gonzaga, estava uma do repórter Gildson Oliveira que transcreveu a seguinte mensagem:       “Amado Lula: o silêncio acende a alma… O País canta sua voz… Os pássaros se entristecem com a partida da Asa Branca, mas fica em nossos corações a sua história. E a nossa festa é esta. Quem crê em Cristo, mesmo que esteja morto viverá.”      
O corpo de Luiz Gonzaga foi levado no carro corpo de bombeiros, passando por diversas ruas da cidade rumo ao Cemitério São Raimundo, local onde aconteceram as últimas manifestações de carinho, àquele que só foi alegria. O caixão só desceu a sepultura depois que Gonzaguinha, Dominguinhos, Alcimar Monteiro e mais de 20 mil pessoas cantarem a música ASA BRANCA, e às 16:50 minutos sepultaram o Rei do Baião que foi embalado no seio da terra na sexta feira, no mesmo dia da semana, que ele nasceu. Uma outra coincidência é que ele morreu no amanhecer do dia, assim como ele nasceu no amanhecer do dia 13 de dezembro de 1912.    Observação: Vídeo da Missa celebrada por Dom Helder Câmara no Recife, cortejo e chegada do corpo de Luiz Gonzaga ao Juazeiro do Norte/CE.           
  Observação: Vídeo da chegada do corpo de Luiz Gonzaga em Exu/PE, Missa e Sepultamento.           
     
Mausoleu do Gonzagão
LIVROS LANÇANDOS APÓS A MORTE DE LUIZ GONZAGA:
Em 1990 foi lançado pela Editora Martin Claret o livro LUIZ GONZAGA, VOZES DO BRASIL. O filho de Luiz Gonzaga, Gonzaguinha Jr. depois de ter passado 15 dias em Exu/PE falando aos familiares e amigos sobre a preservação do Parque Aza Branca, veio a falecer subitamente por ocasião de um acidente automobilístico que aconteceu na manhã do dia 29 de abril de 1991, morrendo no mesmo dia do pai.
Em 1991, o jornalista Gildson Oliveira lançou o livro LUIZ GONZAGA, O MATUTO QUE CONQUISTOU O MUNDO. A viúva, Dona Helena Gonzaga, conhecida por “MADAME BAIÃO”, faleceu na manhã do dia 04 de fevereiro de 1993 na Casa Grande do Parque Aza Branca.
Em 1994, o cordelista Pedro Bandeira lança uma 2ª edição ampliada do livro LUIZ GONZAGA, NA LITERATURA DE CORDEL.
Em 1997, a Francesa Dominique Dreyfus lança o livro VIDA DO VIAJANTE: A SAGA DE LUIZ GONZAGA. Ainda em 1997 o professor Uéliton Mendes da Silva lança o livro LUIZ GONZAGA, DISCOGRAFIA DO REI DO BAIÃO.
No ano de 2000 a professora Sulamita Vieira, lança o livro SERTÃO EM MOVIMENTO – A dinâmica da produção cultural fruto de sua tese de doutorado. Ainda no corrente ano a professora Elba Braga Ramalho lançou o livro LUIZ GONZAGA: A Síntese Poética e Musical do Sertão. Fruto de sua tese de doutorado na University of Liverpool, na Inglaterra.
Em dezembro 2001 o jornalista Gildson Oliveira, grande admirador do Rei do Baião, escreveu um livro, intitulado: “LUIZ GONZAGA, O ASA BRANCA DA PAZ” que foi apresentado a Chiquinha Gonzaga, irmão do Rei do Baião, e recebeu dela a aprovação do trabalho.
FOTOS DO PARQUE AZA BRANCA:
Vista área do Parque Aza Branca.
BR. Aza Branca - Acesso ao Parque
Lago do Parque Aza Branca
Entrada do Parque Aza Branca
Casa Grande de Luiz Gonzaga
Palco para show artísticos
Pátio da Praça do Parque Aza Branca
Museu Luiz Gonzaga, Rei do Baião
Palco dos Trios Pé de Serra
Restaurante Assum Preto
MATRIZ DO DISTRITO DO ARARIPE REFORMADA POR LUIZ GONZAGA:
Igreja São João do Carneirinho - Araripe/PE
Vitral restaurado por Luiz Gonzaga.
Altar reformado por Luiz Gonzaga.
Grupo Escola construído por Luiz Gonzaga no povoado do Araripe.


Observação: Vídeo do Jornal Nacional e depoimentos de grandes atores da rede Globo.



CONCLUSÃO:
E eu professor Tadeu Patrício, pesquisador da cultura popular e admirador da obra artística de Luiz Gonzaga, eterno Rei do Baião, espero ter contribuído com estas informações colhidas nos diversos autores das biografias acima citadas, as quais tive acesso, bem como outros documentos. Encerro dizendo que, aprendi muito mais realizando esta prazerosa pesquisa, por isso quero dedicar este trabalho a memória de um amigo: Francisco Sales Urquiza da Nóbrega, que foi grande amigo pessoal e admirador de Luiz Gonzaga, e na década de 70 trouxe a Cabedelo, o Rei do Baião, tendo o mestre Lua participado aqui em Cabedelo de uma reunião na maçonaria e após este encontro fez uma apresentação no Cine Apolo no centro da cidade portuária.

2 comentários:

  1. Professor,parabéns por sua matéria.
    o Gonzagão é nosso eterno Rei do Baião
    VISETE O BLOG SERTÃO9 E VEJA TUDO DO REI DO BAIÃO.
    um abraço Antonio.

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